Auschwitz

#16 Visitar Auschwitz é de graça – Oswiecim, Polônia

Os campos de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau mataram milhares de pessoas durante a II Guerra Mundial, mas hoje em dia foram convertidos em museu. Localizados na cidade de Oswiecim, na Polônia, ficam a 1h30 de ônibus de Cracóvia.

Na cidade várias agências organizam tours para visitar os campos de concentração. Eu fui pedir informações sobre como chegar em Oswiecim em um escritório de informações turísticas e a menina já foi me dizendo para contratar um tour. Mas não é preciso contratar nada e ir por conta própria é mil vezes mais econômico e bem fácil também, mesmo para quem não fala inglês. Há duas formas de visitar Auschwitz: sozinho, sem um guia ou com uma visita guiada. Para quem for sozinho a entrada é gratuita, mas é recomendável fazer uma reserva antecipadamente através do site e escolher o horário que irá visitar. Para entrar gratuitamente é necessário começar a vista às 8h, às 9h, às 15h10, às 16h, às 17h, às 18h ou às 18h55. Os demais horários são reservados para as visitas guiadas.

Entrada de Auschwitz

Entrada de Auschwitz

Há dois campos de concentração e a visita começa pelo Auschwitz. Dá para visitar tranquilamente sem um guia, pois o museu é muito bem sinalizado, há uma sugestão de percurso marcada através de indicações e por todo o lugar há placas com informações sobre o lugar e com histórias sobre o que acontecia lá. Quem quiser informações complementares pode comprar um livro ou guia na loja localizada na entrada de Auschwitz. Comprei um guiazinho por 5 zlotys (cerca de R$4,30) e valeu a pena.

O local está bastante preservado e é repleto de construções semelhantes a grandes casas. Nem todas estão abertas a visitação, mas as que estão exibem tristes relatos do que aconteceu por lá. Cada uma delas é dedicada a um tema. Por exemplo, há algumas que exibem documentos sobre pessoas levadas aos campos de concentração, comunicados entre os oficiais alemães, autorizações para a mudança de práticas, como, por exemplo, a inclusão de crianças a partir de oito anos nos trabalhos forçados. Antes desta mudança todas as crianças que chegavam a Auschwitz eram mortas, assim como algumas mulheres, idosos e pessoas que não estavam aptas ao trabalho.

Há uma série de construções parecidas com casas em Auschwitz

Há uma série de construções parecidas com casas em Auschwitz

Em outras há salas repletas de objetos de pessoas que foram feitas prisioneiras. Há, por exemplo, uma sala cheia de sapatos. Outra cheia de roupas. Outra com malas. Desta forma é possível perceber que quem foi levado para lá não fazia ideia do destino que a esperava. É realmente muito triste.

É possível fotografar em quase todos os ambientes, mas há exceções. Uma delas é a sala de cabelos. Quando a Alemanha perdeu a guerra e os aliados invadiram Auschwitz descobriram uma infinidade de sacos contendo cabelos humanos. Eles eram retirados das mulheres e vendidos para a indústria têxtil. Há, inclusive, um exemplar de um desses tecidos.

Há diversas dessas placas no campo

Há diversas dessas placas no campo

Com todas as placas com explicações é possível fazer a visita sem guia e ainda entender bastante o que aconteceu no lugar. O único porém é que as explicações estão escritas apenas em inglês, polonês e hebraico. Mas na lojinha há livros e guias em português que podem ajudar quem não fala nenhum destes idiomas. Ah, e o museu não possui áudio guia.

Depois de visitar Auschwitz é a hora de ir para Auschwitz II-Birkenau. Há um ônibus que faz o transfer gratuito entre um campo e outro e o trajeto dura cerca de cinco minutos. Depois de ver tudo aquilo em Auschwitz vi que Birkenau é ainda pior. Primeiramente porque é muito maior do que o primeiro campo. Há uma infinidade de construções e não é nem mesmo possível ver onde o campo termina. Além disso, é lá que chegavam os trens trazendo os futuros prisioneiros. O local ainda preserva os trilhos e há um vagão de um trem: pequeno e completamente fechado, sem nenhuma janela.

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Vagão de trem remanescente com homenagens de visitantes em frente

Lá também é possível entrar em algumas construções, mas neste campo não há placas nem sinalizações. O mapa que havia no guia foi útil neste caso e ajudou a nos localizarmos lá dentro.

Além dos trilhos e das construções há os restos de dois crematórios que foram destruídos pelos nazistas após a Alemanha perder a guerra. Pela quantidade de tijolos pareciam ser bem grandes. No campo também é possível ver o lago onde eram jogadas as cinzas das pessoas queimadas nos crematórios.

Um dos crematórios de Auschwitz II destruídos pelos alemães após o fim da guerra

Um dos crematórios de Auschwitz II destruídos pelos alemães após o fim da guerra

Terminada a visita pegue o transfer de volta para Auschwitz I, pois é de lá que saem os ônibus para voltar para Cracóvia.

É recomendado reservar no mínimo 3 horas e meia para visitar os dois campos de concentração. E acredite, esse tempo é mesmo necessário. As visitas guiadas também tem esta duração e custam 40 zlotys (cerca de R$34). Há opções em várias línguas, mas não há em português.

O campo Auschwitz II-Birkenau parece não ter fim

O campo Auschwitz II-Birkenau parece não ter fim

Para chegar aos campos de concentração a partir de Cracóvia é bem fácil. Na estação central é preciso comprar no guichê de bilhetes de ônibus uma passagem para Oswiecim, que custa 12 zlotys por trecho (cerca de R$10). Lá no guichê é possível consultar os horários das saídas e os funcionários falam inglês. Quem faz o trajeto é uma van, então é bom chegar com um pouco de antecedência se não quiser correr o risco de fazer a viagem em pé. Apesar de informarem que a viagem dura 1 hora, demoramos 1h30 para chegar. Então compre a passagem com saída duas horas antes do horário marcado para a sua visita. A van para bem em frente da entrada de Auschwitz e o motorista avisa quando chega lá. É bom já pegar com ele os horários da volta, pois a última van passa às 19h30. Também já dá para comprar com o motorista a passagem de volta ou deixar para comprar na outra van.

Locais onde as pessoas dormiam amontoadas: calor infernal no verão, frio congelante no inverno

Um dos locais onde as pessoas dormiam amontoadas: calor infernal no verão, frio congelante no inverno

O ponto de ônibus para pegar a van na volta também fica em frente à entrada de Auschwitz, do outro lado da rua do ponto da ida.

A van na ida saiu pontualmente no horário, mas na volta passou com quase meia hora de atraso. E também levou 1h30 para chegar em Cracóvia. Então é bom sempre ter uma margem grande de tempo.

Também é possível ir de trem, mas como a estação está localizada a 2 quilômetros dos campos e a van para bem em frente, eu acredito que não valha a pena. Caso resolva ir de trem mesmo assim, há ônibus que saem da estação e vão até Auschwitz. Também dá para ir caminhando se tiver disposição, mas vale lembrar que você terá que andar um monte dentro do museu.

Entrada de Auschwitz II-Birkenau e trilhos por onde chegavam os trens

Entrada de Auschwitz II-Birkenau e trilhos por onde chegavam os trens

Antes de visitar Auschwitz é importante ler as regras de visitação que estão elencadas no site. Eles proíbem, por exemplo, a entrada com bolsas grandes e mesmo julgando que minha bolsa tinha um tamanho adequado fui impedida de entrar com ela. Mas há um guarda-volumes ao lado onde foi possível guarda-la. Sorte que era barato, custava 3 zlotys (cerca de R$2,50). Também é proibido entrar com comidas e não pode fumar lá dentro. Todas as pessoas precisam passar por um detector de metais e as bolsas e sacolas são checadas naqueles raio-x como os dos aeroportos.

Ao fazer sua reserva no site você irá receber por e-mail seus bilhetes de entrada. Imprima-os e leve-os com você. Caso você chegue antes do horário marcado é necessário esperar, só é possível entrar na hora reservada. E prepare o estômago para o que estará prestes a ver.

Onde: Auschwitz-Birkenau, Oswiecim, Polônia
Quanto: Visitas sem guia são gratuitas, mas recomenda-se reservar antecipadamente no site http://auschwitz.org. Visitas guiadas custam 40 zlotys (cerca de R$34)
Quando: O museu abre todos os dias da semana, mas os horários variam de acordo com o mês de visitação. Dá para consulta-los no link http://auschwitz.org/en/visiting/opening-hours

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